Quem pode, pode!

A FRATERNAL COMPANHIA DE ARTE E MALAS-ARTES

QUEM PODE, PODE!

SINOPSE:

O espetáculo narra a saga de Mané-Leão, um camponês exageradamente corajoso, porém tolo, que é parido de um pai covarde, mas que ao longo de sua juventude se mostra valente e desafiador das leis vigentes. Sua trajetória começa quando ele livra a cidade de um touro feroz e violento. Testemunha de sua coragem o povo incita o novo herói a desafiar o poder do Barão, Mané-Leão luta, vence e destitui o Barão do poder se tornando o novo Barão. No poder ele se casa com Erínia, uma megera que homem nenhum consegue domar. Da mesma forma que Édipo ele é tomado pelo poder e se torna naquilo que sempre combateu.

QUEM PODE, PODE (O fascínio do poder)

     Este é um espetáculo característico da Fraternal Companhia de Artes e Malas-Artes (grupo formado em 1993) seguindo o modelo épico/narrativo das peças de Luís Alberto de Abreu escritas para o grupo. O texto assinado por Alex Moletta tem bons momentos, mas não atinge a “fluidez” dramatúrgica daqueles de Abreu.

     Cinco atores se revezam em interpretar várias personagens como também em narrar a saga de Mané –Leão de herói do povo a vilão da história quando passa a ter o poder em suas mãos.

     A manipulação da opinião pública, os impostos excessivos (a cena do povo carregando a carga tributária é emblemática), o abuso do poder são assuntos vividos por nós nos dias atuais e aparecem no espetáculo de forma direta e didática, mas também lúdica e divertida com forte apelo popular e apropriada para apresentação em espetáculos de rua que é um dos objetivos do grupo (eles têm apresentado os trabalhos em um caminhão). Resta sempre a grande dúvida de como o público de rua absorve essas denúncias...

 

A carga tributária

 

     Há uma cena muito forte e bonita onde se reproduz o quadro do pintor italiano Giuseppe Pellizza de Volpedo (1868-1907) Il Quarto Stato com os rostos originais sendo substituídos por aqueles dos atores. Assim como no quadro, a cena é uma alegoria social do povo que avança em direção a um futuro promissor, deixando para trás a época da opressão.

 

Il Quarto Stato

     É bonito, mas utópico esse final feliz, pois o que vemos nos dias de hoje está bem longe desse ideal.

     No melhor estilo brechtiano o espetáculo é dividido em cenas que são anunciadas pelos atores/narradores e entremeado por canções interpretadas pelo elenco bastante homogêneo (Pela experiência com a Fraternal, estão mais à vontade  Aiman Hammoud e  Mirthes Nogueira).

     A direção, limpa e eficiente, é de Ednaldo Freire.

   

 

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