Assista o vídeo acima e conheça o projeto.

Palco Itinerante

A Fraternal Companhia de Arte e Malas-Artes está de casa nova: uma carreta de onze metros de comprimento onde foi acoplado um baú, cujas laterais se abrem, revelando um palco de mais de oito metros de largura por quase sete de profundidade. Neste projeto a Companhia apresentará dois espetáculos mais representativos de seu repertório: Sacra Folia e Auto da Paixão e da Alegria, ambas de autoria de Luís Alberto de Abreu e direção de Ednaldo Freire. O Projeto tem patrocínio da Lupo e foi realizado com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura, Programa de Ação Cultural 2011.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Reportagem "Globo Rural"

 

 

“O palco itinerante é uma tradição do teatro desde a Carroça de Dionísio, passando pelas trupes da Commedia dell’Arte e, mais recentemente, pela Carroça de Ouro”, diz Ednaldo Freire. Mas, apesar da tradição, a idéia foi fruto da necessidade, já que desde a saída do Teatro Paulo Eiró, a companhia ficou sem sede própria e distanciada de seu público. “No Paulo Eiró conseguimos formar uma platéia verdadeiramente popular, nunca recuperada após nossa retirarda forçada de lá”, lembra Freire. “A impossibilidade de conseguir um espaço fixo onde pudéssemos dar continuidade ao nosso projeto, nos levou à idéia de um palco itinerante, que desse acesso gratuito ao maior número possível de pessoas.”

Em Sacra Folia, a Sagrada Família, perseguida por Herodes e seus soldados, se perde em sua fuga para o Egito e acaba chegando ao Brasil. A perseguição continua em solo nacional e a Sagrada Família se vê obrigada a aceitar a ajuda de dois tipos populares, João Teité e Matias Cão, para se livrar de Herodes e retornar à Judéia. Guiados por Teité, José, Maria e o menino Jesus acabam se embrenhando pelos confins do Brasil. Ao final de extensa e cômica epopéia, Teité registra Jesus como seu filho, para que ele realize no Brasil a promessa do reino de fartura que o Messias, segundo a profecia, haveria de trazer ao mundo.

“Em Auto da Paixão e da Alegria a nossa pesquisa  enveredou pela ambivalência do cômico/dramático, utilizando sempre a narrativa épica”.

A peça narra as aventuras de quatro saltimbancos que se encarregam de contar os acontecimentos bíblicos. Três deles — Amoz (Edgar Campos), Benecasta (Mirtes Nogueira) e Abu (Aiman Hammoud) — são pretensamente descendentes longínquos de testemunhas oculares da passagem de Cristo pelo mundo. O quarto saltimbanco, Wéllington (Luti Angelelli), é um paraibano que, embora não tenha ancestrais que conviveram com Cristo, conhece inúmeras histórias orais transmitidas pela tradição popular, como a da expulsão de Cristo do Ceará; as andanças da sagrada família pelo sertão brasileiro, quando se perdeu na fuga para o Egito; os milagres não-canônicos e acontecimentos apócrifos, como a presença do Apóstolo Tomé na Bahia e a época em que Cristo foi negro.

“Enquanto os três primeiros saltimbancos tentam imprimir ao auto uma restrita versão oficial, Wéllington contrapõe a visão lúdica, cômica e ampla da cultura popular”, ressalta Abreu. “Uma visão ambivalente onde, de forma orgânica, o sagrado se justapõe ao profano e o humano se mistura ao sublime”.

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