Iepe

Iepe, o personagem título, é um camponês beberrão que pensa comandar o mundo depois que um barão lhe assenta uma coroa na cabeça. Tal qual o momo dos carnavais medievais -ou o Segismundo de Calderón de La Barca-, ele vive a interinidade do sonho.
Longe da realidade -a mulher, Néli, o espera há dias em casa-, Iepe se julga o senhor do castelo. Decreta guerras e usufrui de poderes fantásticos, sem se dar conta de que tudo não passa de uma brincadeira armada por um sujeito rico e ávido por um bobo da corte.

O nonsense e a paródia estão presentes no texto. "O popular é extremamente refinado; é diferente do popularesco, daquela coisa idiota",

Iepe (Jeppe, na grafia original). Criado no século XVIII, pelo comediógrafo norueguês Ludwig Holberg (1684-1754), considerado o fundador do teatro dinamarquês, o beberrão Iepe tem parentesco direto com os personagens das festas populares medievais, notadamente, os tolos que são coroados reis de fancaria e, por um único dia, desfrutam ou imaginam desfrutar do poder real.

                   A mudança de percurso não diminui a intensidade cômica do humor popular apenas muda-lhe o caráter reafirmando que tanto na sombria Dinamarca quanto na Itália mediterrânea ou no trópico brasileiro a comédia popular é intensa, fértil e solar!

                   Na recriaçao do texto de Holberg dois fundamentos da cultura popular orientaram a dramaturgia. Um deles foi a hipérbole, o exagero das imagens cômicas populares, necessariamente vinculadas à fertilidade, crescimento e superabundância. Diria, em razão disso, que este é um texto reescrito à maneira de François Rabelais para dar o justo crédito ao antigo mestre do humor popular. O outro fundamento – e que dá a esta comédia uma estrutura épica - foram as narrativas. Cômicas, fantásticas, recheadas de non-sense, as narrativas dos personagens procuraram semelhanças com os “causos” tão presentes na cultura popular brasileira.

IEPE, UMA COMÉDIA ÉPICA

 

A encenação de Iepe dá continuidade ao projeto da Fraternal Companhia de Arte e Malas-artes de investigar os fundamentos do riso popular iniciado com o repertório da Comédia Popular Brasileira

( Burundanga, Anel de Magalão, Parturião e Sacra Folia )

Se nessas encenações a pesquisa se concentrava, principalmente, nos arquétipos cômicos da comédia italiana (commedia dell’Arte e farsas atelanas) como ponto de partida para a construção de uma dramaturgia cômica brasileira, há agora uma nítida mudança de percurso. Os personagens fixos (João Teité, Matias Cão, Boracéia, Mané Marruá, Mateúsa e outros) temporariamente cedem lugar a outra casta de personagens igualmente construídos sobre as ricas matrizes da cultura popular brasileira.

                        O ponto de partida para este novo trabalho foi um personagem clássico do teatro escandinavo: Iepe (Jeppe, na grafia original). Criado no século XVIII, pelo comediógrafo norueguês Ludwig Holberg (1684-1754), considerado o fundador do teatro dinamarquês, o beberrão Iepe tem parentesco direto com os personagens das festas populares medievais, notadamente, os tolos que são coroados reis de fancaria e, por um único dia, desfrutam ou imaginam desfrutar do poder real.

                        A mudança de percurso não diminui a intensidade cômica do humor popular apenas muda-lhe o caráter reafirmando que tanto na sombria Dinamarca quanto na Itália mediterrânea ou no trópico brasileiro a comédia popular é intensa, fértil e solar!

                        Na recriaçao do texto de Holberg dois fundamentos da cultura popular orientaram a dramaturgia. Um deles foi a hipérbole, o exagero das imagens cômicas populares, necessariamente vinculadas à fertilidade, crescimento e superabundância. Diria , em razão disso, que este é um texto reescrito à maneira de François Rabelais para dar o justo crédito ao antigo mestre do humor popular. O outro fundamento – e que dá a esta comédia uma estrutura épica - foram as narrativas. Cômicas, fantásticas, recheadas de non-sense, as narrativas dos personagens procuraram semelhanças com os “causos” tão presentes na cultura popular brasileira.

                        Como se percebe o caudal da cultura popular é extremamente rico e cada mudança de rota leva necessariamente à descoberta de um mais rico universo.

 

 

 

 

                                                                      

 

Luís Alberto de Abreu

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