Fraternal Cia. de Arte e Malas-Artes encena comédia de Domingos Oliveira

 

Escrita pelo cineasta e dramaturgo Domingos Oliveira, A História de Muitos Amores é o novo espetáculo da premiada companhia paulistana, sob direção de Ednaldo Freire.

 

Jogo Cômico

 

A História de Muitos Amores narra as aventuras de Ângela, uma linda jovem que entra por acaso em um circo decadente e decide se incorporar à trupe. Contratada por Portobello, dono do circo, Ângela desperta os desejos de todos os homens, entre eles o trapezista, o palhaço e o próprio Portobello. Espécie de Colombina, a astuta Ângela dá início assim a um jogo arriscado, capaz de provocar sentimentos desmedidos de amor e ódio, ciúmes, traições e, claro, uma boa dose de comportamentos patéticos e muito humor.

Com duração de 100 minutos, a peça traz no elenco os atores Aiman Hammoud, Edgar Campos, Fernando Paz, Isadora Petrin, Luciana Viacava, Marcio Castro e Mirtes Nogueira. O cenário e os figurinos são de Luiz Augusto dos Santos, iluminação de Wagner Freire, pesquisa e preparação corporal de Luis Louis, adereços de Petrônio Nascimento e trilha sonora composta de Kalau.


Ficha Técnica
Espetáculo: A História de Muitos Amores (Tragicomédia)

Autor: Domingos Oliveira

Direção: Ednaldo Freire

 

Sinopse: Moça resolve se incorporar à trupe de um circo decadente e acaba despertando o desejo de todos os homens, criando um jogo de amor, ódio, ciúmes e muito humor.

 

Elenco: Fraternal Cia. de Arte e Malas-Artes: Aiman Hammoud, Edgar Campos, Fernando Paz, Isadora Petrin, Luciana Viacava, Marcio Castro e Mirtes Nogueira.

 

Cenário e figurinos: Luiz Augusto dos Santos

Adereços: Petrônio Nascimento

Trilha Sonora Composta: Kalau

Pesquisa e Preparação Corporal: Luis Louis

Iluminação: Wagner Freire

Fotografia: Arnaldo Pereira

Consultoria Jurídica           : Martha Macruz

Designer Gráfico: Ivan Rodrigues

Cenotécnico: Edson Freire

Operador de luz: Marco Vasconcellos

Operador de Som: Gabriel Kavanji

Costureira: Alice Corrêa


Duração:  100 minutos

 

Gênero: Tragicomédia

História de muitos amores

O dramaturgo Domingos de Oliveira fala sobre relação entre circo e teatro

Espetáculo 'A História de Muitos Amores' ganha versão circense

Por Globo TeatroPublicado originalmente em 13/10/2009

Quatro décadas após a estreia, primeira peça de Domingos de Oliveira ganha versão para os circos (Foto: Divulgação)

Depois de anos trabalhando com dramaturgia própria, quase sempre em parceria com Luis Alberto de Abreu, a Fraternal Companhia de Arte e Malas-Artes resolveu inovar, resgatando textos bons e pouco conhecidos da dramaturgia brasileira. Na primeira empreitada, se arriscam como malabarista no trapézio ao transpor para o universo do picadeiro “A História de Muitos Amores”, peça de início da carreira do cineasta, dramaturgo e diretor Domingos Oliveira, que estreou em 1964, com Sérgio Britto no elenco. Em entrevista, ele fala da grata surpresa de rever, 45 anos depois, o seu primeiro trabalho encenado profissionalmente – e sob sua direção – na ótica tão peculiar da Fraternal Companhia.

A peça narra as aventuras de Ângela, uma jovem que ingressa por acaso num circo decadente e decide se incorporar à trupe. Ela desperta os desejos dos homens e passa a fazer um jogo arriscado, provocando variados sentimentos entre os integrantes. Neste contexto, a Fraternal entrelaça elementos da cultura erudita e popular, com referências da commedia dell’arte, do folclore, do circo, entre outras linguagens. Uma tentativa de resgatar o clima poético, patético, tragicômico proposto pelo texto de Oliveira. Ao que parece, segundo as impressões do criador da história, o grupo conquistou seu objetivo.

“A História de Muitos Amores” era uma peça que já estava, podemos dizer, no ‘baú de recordações’ quando a Fraternal resolveu montá-la?
Um escritor não tem propriamente um ‘baú de recordações’. Tem no máximo arquivos cheios. E agora não se usa mais aqueles grandes arquivos de metal que são comuns nos escritórios. Eu tinha um. Uma vez fiquei com tanta raiva dele que tirei todos os papéis, botei o arquivo no jardim, enchi de terra e transformei num belo e estranho vaso. Na verdade, “A Estória de Muitos Amores” (título original) sempre tive vontade de experimentá-la de novo. Mas considerei, isso sim, que era coisa do passado. Que eu não teria tempo de voltar lá. Agora, para minha surpresa, a minha hermética, secreta, pessoal e exacerbadamente romântica primeira peça hoje virou teatro popular. O que mais pode um autor querer?

Quando e como aconteceu este convite?
A culpa é dos Fraternais. Aiman Hammoud, ator central do grupo, me telefonou e negociou os direitos. No início fiquei desconfiado, pois sabia que a peça era difícil, por causa de sua extrema delicadeza. Meus temores não tinham nenhuma base. O grupo é ótimo, otimamente dirigido pelo Ednaldo Freire. São todos ótimos. Eu sempre odeio quando vejo coisa minha dirigida pelos outros. Saio indignado pelas portas porque, como também sou diretor, sempre acho que faria de outro modo, o modo certo. Dessa vez foi o contrário. Achei que o espetáculo não apenas compreendeu minha sutil peça como acrescentou outras dimensões enriquecedoras. Sendo que o Aiman é o ator central sensacional, raro. Fiquei muito feliz.

Como é ver o seu trabalho no picadeiro, numa leitura desta companhia tão singular esteticamente?
Deve ter sido uma superposição de singularidades. Pelo trabalho, para mim foi mágico, máquina do tempo. Tive a oportunidade de olhar longamente para os meus vinte e cinco anos.
 


Cia. Fraternal lê um jovem Domingos Oliveira

"A História de Muitos Amores", escrita do início da década de 60, é levada aos palcos de São Paulo sob a direção de Ednaldo Freire

JOSÉ ORENSTEIN
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA


"A máquina do tempo foi inventada. Fiquei assustadíssimo -não dormi à noite." Não, Domingos Oliveira não conheceu uma inaudita tecnologia tampouco leu um livro de ficção científica. O seu espanto se deve à encenação do seu texto de juventude "A História de Muitos Amores", em cartaz neste fim de semana em São Paulo com a Fraternal Companhia de Artes e Malas-Artes.
A peça foi escrita por um jovem Oliveira de 25 anos, em 1962, e encenada uma única vez, sob sua direção, em 1964, às vésperas da ditadura militar, no Rio de Janeiro. "Foi um fracasso, perdi dinheiro pra caramba", lembra o autor. Passaram-se então 45 anos e Oliveira nunca mais tinha lido ou muito menos visto a peça.
Ao assistir à pré-estreia para imprensa e convidados na segunda-feira, foi como "ver a si mesmo jovem". E o que mudou nesse jovem? Oliveira responde na lata: "Nada". "Minha ligação com a transcendência, o amor e a amizade apareceram juntos, isso sou eu ainda", afirma.

Circo do Amor
Um decadente circo é o cenário da peça, ou seu "espaço poético", como prefere Ednaldo Freire, o diretor. A trama se desenvolve ao redor da chegada de Ângela (Mirtes Nogueira) ao picadeiro e da corrente de ciúmes e amores que ela provoca.
"É uma corda bamba entre a farsa, a nostalgia e a tragédia", resume Freire. A combinação desses gêneros é que afinal atraiu a Cia. Fraternal, "por trabalhar uma estética de cultura popular que a gente já vinha desenvolvendo há algum tempo".
Desde 1993, o grupo trabalha o projeto Comédia Popular Brasileira centrado na dramaturgia de Luís Alberto de Abreu. Ao se lançar o desafio de encenar um texto pronto, de um outro dramaturgo, a Fraternal não só expandiu seu repertório e "aprofundou sua pesquisa cênica", como diz Freire, mas também "devolveu a juventude a Domingos Oliveira". Mas não que este de fato a tenha perdido. "A cabeça do artista é a mesma, sou um jovem de 72 anos", diz Oliveira.

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