Fraternal leva aos palcos mais um bem-sucedido experimento cômico.
Apesar do nome remeter a três deusas da mitologia grega, espécie de encarnação tripla de graça e beleza, a nova montagem da Fraternal Cia de Arte e Malas-artes enfoca a vida real de muitas mulheres. As Três Graças - Uma Sátira Menipéia, em cartaz no desconfortável Teatro Célia Helena, condensa depoimentos colhidos pelo próprio grupo e arrematados pelo dramaturgo Luís Alberto de Abreu em três únicas personagens. Uma delas (Luciana Viacava) guarda na memória apenas cinco lembraças. Outra é uma tola (Márcia de Oliveira) ludibriada pelo marido bígamo. A terceira (interpretada por Mirtes Nogueira e Isadora Petrin ao mesmo tempo) prefere viver no mundo da fantasia. Costura as delicads histórias uma hilária saga em que guerreiros tentam entrar no universo feminino para desvendar a razão do encanto despertado nos homens.
Como de costume, a peça dirigida por Ednaldo Freire trilha o caminho do teatro popular, mas agora em uma mistura muito mais intensa dos gêneros drama, comédia, absurdo, farsa e épico, no melhor estilo cínico e transgressor do filósofo satírico Menipo (século III a.C.), citado no título. Ao mesmo tempo, os oito atores desnudam a carpintaria teatral e falam diretamente à platéia sobre o processo de criação. Com esse balaio e no vai-e-vem entre ficção e realidade, a Fraternal se reafirma como um grupo em permanente trabalho de pesquisa, capaz de produzir espetáculos instigantes e, sobretudo, de fazer a platéia rir. |