"As Três Graças", de Luís Alberto de Abreu, aborda o próprio processo de criação.
Com estréia no Teatro Célia Helena, texto, inicialmente pensado como comédia, foi alterado pela 'carga dramática dos depoimentos'.
Ao Lançar-se à tarefa de escrever "As Três Graças", o dramaturgo Luís Alberto de Abreu planejava criar uma comédia. O espetáculo que a Fraternal Cia. de Artes e Malas-artes leva a partir de hoje ao Teatro Célia Helena não chega a ser um malogro completo desse intento inicial, mas conduz o grupo pelo território do drama e coloca sob suspeita os limites entre a realidade e a ficção.
A matéria-prima para compor o texto veio de depoimentos colhidos com dezenas de mulheres, a maioria delas moradoras de um cortiço na região central. Em mais um trabalho com diretor Ednaldo Freire - uma parceria que se estende por 12 anos - , o autor pretendia investigar formas de comicidade próprias das mulheres. O que encontrou nos materiais que o grupo recolheu, porém, o fez enveredar por outro caminho.
" A partir do momento em que começamos as entrevistas, a carga dramática dos depoimentos se impôs e alterou o perfil do trabalho", diz Abreu.
Além de levar ao palco as histórias de três mulheres, a Fraternal também encena o próprio processo de criação do espetáculo.
"Essas experimentações de vários tipos de narrativas são realmente uma tendência", afirma Freire. Num jogo que lembra o filme "Jogo de Cena", de Eduardo Coutinho, os atores revelam, entre um depoimento e outro, os conflitos vividos na sala de ensaio e mostram o palco por dentro, confundindo cena, platéia e coxia. |