Quando o cineasta Domingos Oliveira foi ao teatro nesta semana para a pré-estreia de A História de Muitos Amores, um texto seu com direção de Ednaldo freire, achou que não ia se reconhecer na obra, afinal décadas se passaram desde sua criação.
"Me diverti, me emocionei e vi que era eu mesmo, não mudei nada", comentou. Com o timbre grave que lhe empresta um ar ranzinza, completou que amontagem ficou fantástica: "E olha que eu detesto coisas minhas feitas pelos outros".
Ednaldo Freire, que na fase de amador fundou vários grupos no Grande ABC, inaugura hoje, com a estreia da tragicomédia A História de Muitos Amores, uma nova fase da Fraternal Companhia de Arte e Malas-artes. Após 15 anos de montagens calcadas em pesquisas de grupo, sempre equilibrando cultura erudita e popular - e com a luxuosa parceria de Luís Alberto de Abreu - a trupe parte para um texto 'pronto'. E a ideia pode se repetir novamente, sempre com obras nacionais pouco conhecidas.
Isso, de forma alguma, interrompe o projeto de resgate cultural da Fraternal. Ednaldo Freire entusiasma-se ao enumerar os pontos convergentes entre a história de Domingos e os elementos trabalhados pela companhia durante anos.
Só frisa que a montagem caprichada que entra em cartaz hoje precisa ser classificada como tragicomédia pela pesada carga poética. "Gosto de usar uma frase do próprio Domingos: 'o que mobiliza e enobrece o riso é a lágrima, sem ela o riso é bastardo", explica Freire.
A História de Muitos Amores narra as aventuras de Ângela, uma linda jovem que entra por acaso em um circo decadente e decide se incorporar à trupe. Contratada por Portobello, dono do circo, Ângela desperta os desejos de todos os homens, entre eles o trapezista, o palhaço e o próprio Portobello. Astuta, dá início a um jogo arriscado, capaz de provocar amor e ódio, cíumes, traições e, claro, uma boa dose de comportamentos patéticos e muito humor.
Com duração de 100 minutos, a peça traz no elenco Aiman Hammoud, Edgar Campos, Fernando Paz, Isadora Petrin, Luciana Viacava, Marcio Castro e Mirtes Nogueira. O cenário e os figurinos são de Luiz Augusto dos Santos, a iluminação de Wagner Freire, a pesquisa e a preparação corporal de Luis Louis, os adereços de Petrônio Nascimento e a trilha sonora composta por Kalau.
Dias Gratuitos
O espetáculo tem entrada gratuita às quintas e sextas-feiras. Aos sábados e domingos, os ingressos custam R$ 10 e R$ 5. O teatro do Sesi - São Paulo fica na Avenida Paulista, 1313, Metrô Trianon-Masp. |