|
O espetáculo narra a história de três
mulheres, cada uma delas com uma característica própria: a primeira, tem
uma memória do passado que se resume a cinco lembranças; a segunda é uma
tola, ludibriada por um marido bígamo; e a terceira se nega a reconhecer
e aceitar as agruras da vida e sonha com um improvável reencontro com a
mãe verdadeira. “Um traço comum das três histórias -- como aconteceu na
maioria das entrevistas realizadas com as mulheres -- a figura
masculina, seja pai ou marido, é invariavelmente ausente ou violenta,
relegando a mulher à solidão e ao solitário enfrentamento das
dificuldades da vida”, diz Ednaldo Freire. “Mas ao contrário do que se
poderia imaginar, no entanto, essas mulheres mantêm vivas em si a crença
no futuro e em suas próprias realizações e sonhos.”
A peça segue o tom não-trágico presente nos depoimentos. “Bastante
marcado por um jogo cênico ‘pirandelliano’, o espetáculo revela o
processo de sua construção dentro da sala de ensaio, misturando atores e
personagens, confrontando o real dos depoimentos com a ficção, o
material bruto da pesquisa retrabalhado aos olhos do público para a
construção da cena”, explica Luis Alberto de Abreu. “O resultado é um
espetáculo que harmoniza drama, comédia, narrativa mítica e música em
uma sátira menipéia, uma miscelânea de gêneros, talvez uma das
características mais fortes da cultura popular.”
|