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  AUTO DA PAIXÃO E DA ALEGRIA  

Após fechar o ciclo dos Autos Fe

 

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Após as comédias épicas Iepe, Till Eulenspiegel e A Nau dos Loucos, a Fraternal Companhia de Arte e Malas-Artes retoma sua investigação em torno dos autos populares com a peça Auto da Paixão e da Alegria, que estreou, no dia 11 de julho no Teatro Paulo Eiró. Escrita por Luis Alberto de Abreu, a peça tem direção de Ednaldo Freire e traz no elenco os atores: Aiman Hammoud, Edgar Campos, Mirtes Nogueira e Fernando Paz. A peça é o terceiro espetáculo que a Fraternal apresenta no Teatro Paulo Eiró, dentro do projeto Cidadania em Cena, iniciado em novembro de 2001.

“Autos, segundo a definição clássica, são composições dramáticas breves, de caráter religioso ou profano, podendo comportar elementos cômicos e jocosos”, define Abreu. “Em Auto da Paixão e da Alegria a nossa pesquisa enveredou pela ambivalência do cômico/dramático, utilizando sempre a narrativa épica, que caracteriza nosso trabalho desde Iepe.”

A peça narra as aventuras de quatro saltimbancos que se encarregam de contar os acontecimentos bíblicos. Três deles - Amoz (Edgar Campos), Benecasta (Mirtes Nogueira) e Abu (Aiman Hammoud) - são pretensamente descendentes longínquos de testemunhas oculares da passagem de Cristo pelo mundo. O quarto saltimbanco, Wéllington (Fernando Paz), é um paraibano que, embora não tenha ancestrais que conviveram com Cristo, conhece inúmeras histórias orais transmitidas pela tradição popular, como a da expulsão de Cristo do Ceará; as andanças da sagrada família pelo sertão brasileiro, quando se perdeu na fuga para o Egito; os milagres não-canônicos e acontecimentos apócrifos, como a presença do Apóstolo Tomé na Bahia e a época em que Cristo foi negro.
“Enquanto os três primeiros saltimbancos tentam imprimir ao auto uma restrita versão oficial, Wéllington contrapõe a visão lúdica, cômica e ampla da cultura popular”, ressalta Abreu. “Uma visão ambivalente onde, de forma orgânica, o sagrado se justapõe ao profano e o humano se mistura ao sublime”.


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